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JORNAIS DE HOJE


A MENTE DE UM CRIMINOSO
A MENTE DE UM CRIMINOSO

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O que se passa na mente de um criminoso?

Gestos faciais e corporais podem escrever os estímulos inconscientes que levam o indivíduo a cometer qualquer dlito e propõem a compreensão do crime e da violência como uma multiplicidade de prazer


Existem formas e traços gerais que caracterizam uma expressividade no rosto humano. Hipócrates argumentava que o temperamento do homem seria determinado pelo relativo predomínio dos quatro líquidos ou humores, sendo eles as primeiras teorias do interacionismo que declara que "a mente influi sobre o corpo e o corpo influi sobre a mente".

O comportamento violento nunca poderá ser atribuído a uma única causa. Antes de tudo, é preciso compreender que a combinação destes fatores é que engendra o comportamento violento.

A agressão é um problema significativo em nossa sociedade, provocando impactos sociais, psicológicos e econômicos, além de envolver uma série de reflexões e comentários que ultrapassam, em muito, o ato delituoso em si.

As raízes deste comportamento multifacetário se explicam na fase infantil, nos primórdios da formação do caráter, quando o afeto se fez ou não presente, nas investigações sistemáticas a propósito das possíveis vulnerabilidades biológicas para explicar tal comportamento.

formato do corpo revela características e traços de personalidade, identificando como cada um lida com as suas emoções

Todos os seres humanos experimentam raiva e podem se comportar agressivamente ao serem provocados. Além disso, o comportamento agressivo pode ter várias causas, dentre elas: prejuízo cognitivo, depressão e outras. Porém, há alguns possíveis fatores biológicos que modulam o impulso agressivo nos seres humanos, entre eles o fator genético.

Nesses casos, podemos afirmar que no estudo de gêmeos (Cloninger & Gottesman - 1987; Mednick, Gabrielli & Hutchings - 1987; Mednick & Kandel - 1988) foi encontrado o dobro da correlação para o comportamento criminoso entre eles, em oposição à menor concordância em irmãos que não eram gêmeos. Comparando a concordância de comportamento entre gêmeos monozigóticos e dizigóticos, os monozigóticos apresentam o dobro de correlações no comportamento criminoso, sugerindo a existência de fatores genéticos atrelados ao crime.

Em estudos de adoção, foram utilizadas pessoas que não conheceram seus pais biológicos, bem como sujeitos que ignoravam serem adotivos, buscando separar melhor os efeitos ambientais dos efeitos genéticos. É evidente que existem importantes fatores genéticos associados à criminalidade e o papel do ambiente parece também ter forte influência sobre este aspecto.

 

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Embora não possa ser atribuído a uma causa única, o comportamento violento é um problema social que envolve uma série de reflexões e psicopatias, que ultrapassam o ato defeituoso em si.


Lobo frontal

Com relação ao nível neuroendócrino, o hormônio mais relacionado à agressividade é a testosterona. Em seguida, aparecem a serotonina e a norepinefrina. Essas são alterações bioquímicas capazes de desencadear comportamento violento.

Como fator neurológico, a que mais se relaciona com o comportamento violento se encontra presente no lobo frontal e nos temporais. O lobo frontal se relaciona à regulação e inibição de comportamentos, à formação de planos e intenções e à verificação do comportamento complexo. Suas alterações teriam como consequência dificuldades de atenção, concentração e motivação, aumento da impulsividade e da desinibição, perda do autocontrole, dificuldades em reconhecer a culpa, desinibição sexual, dificuldade de avaliação das consequências das ações praticadas e aumento do comportamento agressivo. O lobo temporal é o responsável pelo gerenciamento da memória; regula a vida emocional, sentimentos, instintos, comandando as respostas viscerais às alterações ambientais. Também é o responsável por nosso temperamento, nossa relação com as pessoas, nosso jeito de ser. É o que nos faz indivíduos ímpares.

Quando o lobo temporal é estimulado, as pessoas sentem vibrações, movimentos, veem luzes fortes saindo de túneis. E relatam a sensação de estar fora do corpo, declara o neurocientista Michael Persinger. "Se gerarmos o estímulo elétrico numa sequência determinada, a pessoa começa a sentir entidades ao seu lado".

 

Resumidamente, quaisquer alterações no lobo temporal resultarão em comportamentos, como a própria ausência de emoções e afetos, típica em criminosos.

Como fator psicofisiológico, foi demonstrado que adultos com comportamentos desviantes que convivem com crianças, podem desenvolver nestas conduta antissocial e atitudes agressivas.

Um dos princípios que regem o funcionamento mental é o prazer: a atividade psíquica no seu conjunto tem por objetivo evitar o desprazer e proporcionar o prazer.

Em seu livro Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, de 1905, Freud considerou que o desvio do comportamento sexual era uma perversão. Para ele, o neurótico reprime seus impulsos e o perverso o expressa na atividade sexual, como na pedofilia, na necrofilia ou no fetichismo.

 

 Berço histórico 

A Fisiognomonia nasceu na Índia, com o surgimento de estudos das rugas no corpo. Mais tarde foi levada para a China, onde foi desenvolvida como diagnóstico e hoje é tida como uma subdivisão da Medicina Chinesa. Monges, acupunturistas e uma legião de leigos e profissionais reconhecem seu valor e importância como diagnóstico. Além de permitir que o especialista conheça certas particularidades do caráter da pessoa, a Fisiognomonia fornece outras informações por meio dos traços faciais, relacionando-os à sua saúde física, emocional e mental. Sua técnica consiste em uma avaliação completa do indivíduo. As marcas e traços que surgem em nosso corpo são registos de hábitos de vida, podendo servir como indicadores de desequilíbrios diversos. Atualmente, é usada na Psicologia criminal no auxílio à resolução de crimes


Considerou, ainda, a agressividade como um dos componentes do instinto sexual e que, em suas formas perversas, poderia se manifestar como sadismo ou masoquismo.

Para Freud, por experiência de satisfação se entendem os afetos e os estados de desejo, ligados a um estado de desamparo original do ser humano.

A noção de afeto é qualitativa e não quantitativa; um afeto inclui processos de descarga, mas inclui também manifestações finais, que são percebidas como sentimentos. Esses sentimentos podem ser tanto de prazer como de desprazer. E, assim, a manifestação inconsciente da face se revela, demonstrando para o especialista a real vontade do desejo do analisado.

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Comportamento criminoso
Para se explicar um comportamento criminoso, devemos avaliar um conjunto de ações e fatores praticados por um indivíduo e também os elementos de um crime, sendo determinados pela sua forma, instrumentos utilizados, tipo da vítima e sua forma de agir.

A criminologia busca atuar nos traços comportamentais que o próprio criminoso deixa, sem perceber, na cena do crime. O modus ope­randi pode ser decifrado pela assinatura do criminoso, que é a forma pela qual ele alcança a satisfação emocional plena na exe­cução do seu ato.

Sigmund Freud observou que cada pessoa apresenta deter­minados sinais (sudorese, calafrio, comportamentos diferencia­dos) e sintomas - como uma subjetividade do sujeito. Ou seja, seu corpo apresenta sinais que naquele momento você desconhece. A teoria freudiana defende que psíquico não é sinônimo de consciente e que no homem, não é a razão que domina, e sim os impulsos, os desejos, as pulsões, etc. de origens, principalmente inconsciente, sexual e agressiva.

Enfim, Freud foi o primeiro teórico a enfatizar os aspectos do desenvolvimento da personalidade, relatando que ela se de­senvolve em resposta a quatro fontes importantes de tensão: crescimento fisiológico, frustrações, medos, conflitos e ameaças. Ao longo de sua vida, o indivíduo vai aprendendo a lidar com estes impulsos e formas de reduzir a tensão.

As experiências que o sujeito vivencia irão influenciar cer­tamente em sua personalidade e conduta de comportamento, demarcando e controlando, ou não, suas pulsões no intuito da realização do seu desejo.

Arquétipos 
Jung nos revela que os arquétipos são mensagens do incons­ciente e que servem também como um divisor de águas do nosso verdadeiro "eu", muitas vezes desconhecido ou escamoteado. Afirmou também que a consciência seria o sonho permanente e mais profundo do inconsciente, onde a percepção seria a forma mais razoável a ser encontrada para apresentar o que nos revela nosso inconsciente.

Jung identificou quatro funções psicológicas fundamentais: pensamento, sentimento, sensação e intuição. Cada função pode ser experienciada tanto de uma maneira introvertida quanto extrovertida.

O pensamento e o sentimento eram vistos por Jung como maneiras alternativas de elaborar julgamentos e tomar decisões. O pensamento está relacionado com a verdade, com julgamentos derivados de critérios impessoais, lógicos e objetivos. Sentir é tomar decisões de acordo com julgamentos de valores próprios.

Jung classifica a sensação e a intuição, juntas, como as formas de apreender informações, ao contrário das formas de tomar decisões. A sensação se refere a um enfoque na experiência direta, na percepção de detalhes, de fatos concretos, o que uma pessoa pode ver, tocar, cheirar.

 

A intuição é uma forma de processar informações em termos de experiência passada, objetivos futuros e processos inconscientes. Pessoas intuitivas dão significado às suas percepções com tamanha rapidez que geralmente não conseguem separar suas interpretações dos dados sensoriais brutos. Os intuitivos processam informação muito depressa e relacionam, de forma automática, a experiência passada e informações relevantes à experiência imediata.

Para o indivíduo, uma combinação das quatro funções resulta em uma abordagem equilibrada do mundo: uma função que nos assegure de que algo está aqui (sensação); uma segunda função, que estabeleça o que é (pensamento); uma terceira função, que declare se isto nos é ou não apropriado, se queremos aceitá-lo ou não (sentimento); e uma quarta função, que indique de onde isto veio e para onde vai (intuição). Entretanto, ninguém desenvolve igualmente bem todas as quatro funções.

 

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Qualquer indivíduo pode se comportar agressivamente ao ser  provocado. Porém, o comportamento agressivo pode ter várias causas, dentre elas o prejuízo cognitivo e a depressão.


A agressão é um problema significativo em nossa sociedade, provocando impactos sociais, psicológicos e econômicos

Cada indivíduo possui uma função fortemente dominante e uma função auxiliar parcialmente desenvolvida. As outras duas funções são em geral inconscientes e a eficácia de sua ação é bem menor. Quanto mais desenvolvidas e conscientes forem as funções dominante e auxiliar, mais profundamente inconscientes serão seus opostos. Jung chamou a função menos desenvolvida em cada indivíduo de "função inferior". Esta função é a menos consciente e a mais primitiva e indiferenciada.

Jung descreve que nascemos com uma herança psicológica, que se soma à herança biológica. Ambas são determinantes essenciais do comportamento e da experiência. O inconsciente coletivo inclui materiais psíquicos que não provêm da experiência pessoal. Dentro do inconsciente coletivo há "estruturas" psíquicas ou arquétipos. Tais arquétipos são formas sem conteúdo próprio que servem para organizar ou canalizar o material psicológico.

Enquanto a teoria de Freud busca as causas, a de Jung busca a direção e a finalidade.   Enquanto para Freud a libido é somente sexual, para Jung a libido é toda a energia psíquica.   Para Freud, o inconsciente é um depósito de rejeitos do consciente, isento de movimento e estático e que se forma, portanto, a partir do consciente. Para Jung, o inconsciente existe "a priori".

Jung procura representar a psique como um vasto oceano (inconsciente) no qual emerge uma pequena ilha (consciente). Jung também acreditava que na vida, cada indivíduo tem como tarefa uma realização pessoal, o que torna uma pessoa inteira e sólida. Essa tarefa é o alcance da harmonia entre o consciente e o inconsciente.

Segundo Jung, nenhum ser humano é exclusivamente introvertido nem extrovertido: "ambas as atitudes existem dentro dele, mas só uma delas foi desenvolvida como função de adaptação".

O mergulho na esfera dos instintos, portanto, não conduz à percepção consciente do instinto e sua assimilação, porque a consciência luta até mesmo em pânico contra a ameaça de ser tragada pelo primitivismo e pela inconsciência dos instintos. Este medo é o tema de inúmeros tabus que Jung sabiamente nos reporta ao seu mundo do imaginário e das possíveis respostas no labirinto interno da nossa consciência humana.

A satisfação e a realização do desejo se completam e se misturam com o alívio e prazer do ato cometido. É oportuno mencionar como as forças inconscientes se manifestam, impulsionando o indivíduo a praticar tais ações. Penetrar no campo da criminologia é descobrir que o crime, dentro da visão psicológica, demonstra que alguns fatos são determinantes de uma infância agressiva e cruel, e que a convergência entre fatores pessoais e sociais forma uma química extremamente deletéria no desencadeamento de atos criminosos.

 

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Para derrotar a violência é preciso investir no combate às drogas e na elaboração de caminhos construtivos como forma de viabilizar a maneira com que cada sujeito contribui para uma sociedade melhor e mais humana.



Caminhos construtivos
É preciso entender que a criminalidade exige um tratamento sintomático, criterioso e, acima de tudo, enérgico. Seria imprescindível derrotar a violência no combate às drogas e na elaboração de caminhos construtivos, para o ser humano ocupar a mente com técnicas produtivas e aproveitar seu tempo contribuindo para uma sociedade melhor e mais eficaz, onde a ociosidade não encontre máscaras e subterfúgios para se desenvolver em uma mente perversa e criminosa.

Nenhuma explicação única poderia ser aplicada a todos os aspectos da agressão sentida ou do comportamento agressivo. Talvez o que encaramos como um tipo de manifestação comportamental de fato, massacre várias características humanas diferentes. Se este for o caso, apenas o tempo se encarregará de nos informar.

A mente humana nasceu com a capacidade de dominar a magia e o encanto das palavras e a capacidade de se autoenganar, reconfigurando os traços da psique humana. Às vezes, tentando esconder a verdade de nós mesmos, buscamos a verdade sobre nós mesmos, precisando desenvolver uma mente multifacetária e, por vezes, inconsciente.

Ao adentrar o caminho da mente, faço um percurso em Freud e Jung para me referenciar em cada anseio, ideal, método, fraude, pulsão, desejo, impulso, conflito, arquétipo e medo, que são chamados de inconsciente. Quando não conseguimos dar conta do real e buscamos explicações em nível consciente, como se isto fosse realmente possível, sem criar nós e enigmas que revelamos em uma personalidade múltipla e dispersa em uma total anomia.

A hipocrisia, a mentira, a maldade, a perversidade e a violência circundam nosso mundo, que em tempos atuais se tornou o embate do momento. Como resolver tanta agressividade? Como controlar os índices de criminalidade? Como combater e exterminar de vez a crueldade?

O homem é um animal que pelas circunstâncias de seu desenvolvimento se fez agressivo, no intuito de se aniquilar, se autodestruir. E, consequentemente, provoca, agride, dilacera e mutila o outro, sentindo uma multiplicidade de prazer que o induz a praticar tais agressões.

 

O sentido da agressão só é despertado em nós por algum motivo de frustração. Para falar de crime, tenho de mencionar Cesare Lombroso, um criminólogo italiano que propôs em sua teoria que certos criminosos têm evidências físicas de um "atavismo" (reaparição de características que foram apresentadas somente em ascendentes distantes) de tipo hereditário, reminiscente de estágios mais primitivos da evolução humana. Essas diversas anomalias, denominadas de "estigmas" por ele, poderiam ser exemplificadas e expressadas em termos de formas anormais ou dimensões do crânio e mandíbula, assimetrias na face, nariz aquilino, etc., mas também de outras partes do corpo. Posteriormente, estas associações foram consideradas inconsistentes e as teorias baseadas na causa ambiental da criminalidade se tornaram dominantes.

Quaisquer alterações no lobo temporal resultarão em comportamentos, como a própria ausência de emoções

Mas o que são criminosos? São seres humanos que ferem a ética e a moral. Desde os tempos da inquisição, a alquimia progrediu no sentido da química, e a criminologia evoluiu no sentido da descoberta da mente humana.

Como veremos, o criminoso não percebe, mas ele demonstra o verdadeiro pensamento de suas ações. Como? Pelo seu corpo e seu rosto. O campo da fisiognomonia explica o estudo das propriedades mentais a partir de sua própria fisionomia. Os reflexos de seu rosto denotam o real sentido de suas atitudes. Nosso rosto é simplesmente o "reflexo da nossa alma". Nossas emoções e atitudes, muitas vezes, se manifestam e nos traem antes que tenhamos chance de perceber que nossos processos mentais e fisiognomônicos acontecem sem envolvimento da nossa própria consciência.

Não podemos nos esquecer de que a razão explica, mas é o cérebro que comanda...

 Por Cláudia França/Psique

Referências 
PÁDUA, Cláudia M. F. O Criminoso e seu juízo... Existe prazer em matar? Belo Horizonte: Líder, 2008, 103p. Revista Psique, nº 56 - Existe Prazer em Matar? Págs. 38 a 43. FROMM, Erich. Anatomia da destrutividade humana, 2ª ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1979, 656p. MARTINEZ, Valquíria. Os Mistérios do Rosto, 4ª ed. São Paulo: Madras, 100p. WEIL, Pierre e TOMPAKOW, Roland. O corpo fala. 56ª ed. Vozes. 278p